segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

fotografar palavras: # 308 - Fotografia de Maria João Alves

fotografar palavras: # 308: "Falta-me um encaixe. Poderia ser ilusório. Não há calor neste estado. Os sentidos perderam-se neste espaço imenso que criei ao me...

fotografar palavras: # 303 - Fotografia de Rosa Paixão

fotografar palavras: # 303: "Há que continuar. A vida empurra." Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Rosa Paixão

fotografar palavras: # 301 - Foto de Bruno Mourinha

fotografar palavras: # 301: “Novela: Bater a bota Certo dia meti-me numa casota convencido de que podia bater a bota atropelado por uma mota. Cenas dos próximos capítulos: Mas não foi bem assim. Conheci uma pinguim que me levou para o pólo Norte, por ter gostado de mim.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira

fotografar palavras: # 299

FOTOGRAFIA: Sílvia Bernardino

fotografar palavras: # 299: "Todos os dias, pela manhã, se interroga quem lhe terá apagado as tarde e as noites." Texto: Andreia Azevedo Moreira

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

«Serviços mínimos de felicidade», de Paulo Kellerman



«Serviços mínimos de felicidade», de Paulo Kellerman (Leiria, 1974) é um hino à angústia de uma mulher que sofre o acidente maior: o da própria filha que jaz inconsciente numa cama de hospital. Sentimos o seu monólogo interior com a força de um terramoto que conduz à ruína. Quando nos achamos sem abrigos o que resta, senão a honestidade que nos devemos. Eis o que mais me comoveu na obra, a autenticidade da voz desta mãe, agora sem a força de o ser, que não se poupa. Exaustiva, minuciosa e massacrante, mas também leve, distraída, errante e, por isso mesmo, redentora. A filha é sempre mencionada como P. . P de palavra impronunciável na dor indescritível de repetir o nome daquela que talvez não torne a abraçar. Lemos a noite mais longa. Não são as horas que custam a passar, até à certeza do que acontecerá ao seu amor maior. São os segundos. E enquanto os sente, de forma insuportável, numa dormência do corpo e dos sentimentos, entretém-se a «usar o pensamento para fugir» (pág. 31), projectando a sua vida numa tela privada, assistindo ao desenrolar da película da sua existência, na mais absoluta solidão. Conhecemos pormenores desde o momento decisivo da desgraça que estilhaçou as três vidas, passando pela construção da vida em comum com Afonso, o marido, pai de P., a quem mal conhece, até à trivialidade de um vestido bonito numa mulher sedutora, mais o encanto de algumas das paisagens que a habitam.

Qualquer momento é apropriado ao recomeço, inclusive, quando nos parecer que já morremos, muitas vezes, embora ainda não o tivéssemos constatado. Esta mulher fala-nos das suas várias mortes, consciencializando-se de cada uma delas, à medida que a atingem, implacáveis. Falta-nos o ar na maior parte das linhas.

É curioso que apenas Afonso, invisível nos afectos, seja identificado. Apenas o pai-condutor-responsável pode ser gritado, acusado, julgado. Identificar o desamor nos outros é mais fácil do que detectá-lo ao espelho. Eis que esta conversa, consigo mesma, a obrigará ao confronto com o que é, com o que julgava ser e lhe aparece agora desprovido de sentido, desfazendo, neste combate, todas as ilusões de poder ser alguma coisa através de terceiros.

Mais do que encontrar respostas para todas as questões que a narradora se coloca, importa repensar. Colocarmo-nos no seu lugar sem nome que é o de todos nós.

Se chegarmos àquele momento em que tudo muda, irremediavelmente, aquele que poderá ser o derradeiro, andámos a escolher o que desejávamos? O que podia ela ter feito diferente para não assassinar os sonhos da filha com pessimismo, realismo e afins? O que podia ela ter feito diferente para não ter desistido dos seus próprios sonhos? Sendo tarde para a filha, ainda o é para si?

Eis que o livro chega ao fim. Nos nossos olhos silêncio, todavia, a sua música continua a tocar para nós, como nos auscultadores de P. logo após o desastre.

«Quem disse que terá de existir uma relação directa entre falar e amar?» (Pág. 62)

Talvez não haja. Sou parca em certezas. Tenho esta: este romance, que escava a esperança sob o desespero, é um acto de amor.

Obrigada, Paulo.





fotografar palavras: # 273

fotografar palavras: # 273: "A luz mais intensa pertence ao sol e aos que ousam." Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Bruno Mourinha

fotografar palavras: # 267

fotografar palavras: # 267: “Só a dor nos faz chorar?” Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Bruno Mourinha

fotografar palavras: # 250

fotografar palavras: # 250: "Caminharei para ti como uma condenada, para poder libertar-me." Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Maria João Faísca

terça-feira, 8 de novembro de 2016

«A Escritora» na Preguiça Magazine

Com a ilustração magnífica da Lisa Teles, o meu conto perde sentido. Está lá tudo. Obrigada, Lisa, por teres chegado à essência. Obrigada, Paulo Kellerman, hoje, ontem e até ao meu fim. Obrigada à Preguiça Magazine por me acolher as palavras.

Chiça que sou uma sortuda!


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

fotografar palavras: # 190

DAQUI: fotografar palavras: # 190 


“Respiro-te. Inspiro e sustenho o ar para te reter num desespero. Repara.” 


Texto: Andreia Azevedo Moreira 


A foto perfeita por Carla de Sousa

fotografar palavras: # 187

Belíssima foto de Sónia Silva.



DAQUI: fotografar palavras: # 187 



“Perco-me na saudade dos teus olhos predadores que me questionavam, do mergulho nas minhas coxas.” 



Texto: Andreia Azevedo Moreira

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

fotografar palavras: # 175

DAQUI



“Arranjamos uma régua que meça o desejo. Perdemo-nos por quantos centímetros? Não queres saber?” 



Texto: Andreia Azevedo Moreira 



Foto: BRUNO MOURINHA

fotografar palavras: # 170

DAQUI.



“Ensinou-me a ver a beleza, mesmo quando a paisagem é negrume.” 



Texto: Andreia Azevedo Moreira 



Foto: Cláudia Andrade

fotografar palavras: # 167

DAQUI. 



“Somos criaturas movidas pelo instinto. Pele, carne, violência e prazer. Por vezes sangue. Fresco.” 



Texto: Andreia Azevedo Moreira 



Foto: Sónia Serafim

Fotografar palavras - 163


“Andava apenas a passar o tempo, como quem fala para o espelho.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Ana Guedes


DAQUI.