domingo, 12 de maio de 2019

#1677

"Desço ao descontentamento maior: mãos vazias, boca seca, olhos cegos, corpo imprestável, passos incertos. Há poder na rejeição. Não do que despreza. Antes daquele que escolhe erguer-se ao frio, para prosseguir em queda. Mais vale cair de desamor do que caminhar sem ter tentado."

Texto: Andreia Azevedo Moreira
Foto: Carla de Sousa
Projecto: Paulo Kellerman

sexta-feira, 10 de maio de 2019

The Airborne Toxic Event - Sometime Around Midnight

#1670

"Cobarde. Contive o arrojo de elevar as mãos ao teu rosto, ou roubar-te o abraço que sonhei. Teria retido nas palmas e no corpo a tua temperatura. Isolada, como agora, aquecer-me-ia com o que sobrou do nosso encontro. Parco consolo para a ideia ressuscitada, inútil, ou para esta solidão com o teu nome."

Texto: Andreia Azevedo Moreira

Foto: Maria João Alves

Projecto: Paulo Kellerman

quinta-feira, 9 de maio de 2019

BREVEMENTE

https://www.facebook.com/CURTAAESCRITORA/

Diz que não foi um sonho.

Que aconteceu esta rodagem e que há-de haver uma curta a passar numa grande tela.

"A escritora".

Há dez anos, mais coisa menos coisa, a Raquel Ochoa passava-me um TPC num curso de escrita criativa, na saudosa Livraria TRAMA, ali ao Rato.

(Ai que horror, os cursos de escrita criativa... Horror, o caraças. Fartei-me de viver coisas boas e conhecer gente interessante e até ganhei uma amiga para a vida toda, graças aos ditos. Não trocava essas experiências por nada.)

Foi sendo alterado durante anos.

Agora será ainda outra coisa, às mãos do Hugo Pinto.

Ansiosa por conhecer e me emocionar com o resultado final.

"VAMBORA!"

quarta-feira, 8 de maio de 2019

#1694

"Tento o acerto caminhando entre ímpares. Multidões distraídas perseguem existências aceleradas. Parecem alegres, as vidas dos outros. A minha nunca. Escolto passos. Encosto, tanto quanto mo permitam, o corpo e a indecência. Sinto cheiros distintos buscando pistas que encaminhassem para a norma. Nada. Não há quem me reconheça ou acolha. Sigo vadio."

Fotografia: Tânia João

Projecto: Paulo Kellerman

Texto: Andreia Azevedo Moreira

James – Moving On (Official Video)

terça-feira, 7 de maio de 2019

FOTOGRAFAR PALAVRAS #1740

"A liberdade habita os gestos simples. Decidir abraçar alguém, abrindo o peito para acolher, apesar de todos os golpes. 

Eis um rosto da coragem." 


Texto: Andreia Azevedo Moreira

Foto: Carla de Sousa

Projecto: Paulo Kellerman


http://fotografarpalavras.blogspot.com/2019/05/1740.html

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Filmaço



Baseado na obra - The Surgeon of Crowthorne: A Tale of Murder, Madness and the Love of Words (Título do caraças para um livro.)

Em tudo havia beleza de Manuel Vilas

Pela primeira vez, li uma pessoa. 

A meio, desconhecedora se o lia e aos seus, 

ou a mim e aos meus. 

Duríssimo, 

cruel, 

poético, 

essencial para quem gosta de cá andar consciente. 

Doa o que doer. 


Em tudo havia beleza. 

(Há) 

Generoso, Manuel Vilas. 

Obrigada.










terça-feira, 30 de abril de 2019

fotografar palavras: # 1735

fotografar palavras: # 1735 

«Vivi sempre a meio caminho entre a acção e a quietude. Quantas demoras foram arrependimento. A quantos toques me furtei. Em breve, o luto dos meus. O tempo foi a medida da minha incapacidade.»

Texto: Andreia Azevedo Moreira 

Foto: Maria João Alves 

Projecto: Paulo Kellerman

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Coisas que aprendi, esqueci e regressam de ora em vez

Uma pessoa, sendo desde criança já uma pessoa, devia vir com o entendimento de que nasceu para ser o que deseje, e não para acudir às expectativas de terceiros. 

(Sim, os pais são terceiros como os outros terceiros. Quem diz pais, diz avós, diz tios, diz todo o tipo de relação sanguínea, de afinidade, convívio formal e informal, etc. e tal) 

Ora, não tendo a maior parte das pessoas, enquanto crianças, este conhecimento presente, passam grande parte da infância tentando preencher os vazios dos adultos. O que é que sucede. Isso está mal. Extremamente incorrecto, diria. Por demais desadequado e condiciona sobremaneira a maior parte das pessoas crianças, quando crescem para pessoas adultas. (Este parágrafo pode conter reminiscências de um scketch dos gato fedorento, o qual recomendo vivamente. https://www.youtube.com/watch?v=ZbDh20ViNFg ) 

Vai daí qual a recomendação às pessoas crianças que hoje são adultas e que volta e meia se sentem crianças desamparadas, sendo eu própria uma pessoa adulta criança desamparada e vice-versa.

Poupem tempo às vossas ricas vidinhas, vivam-nas como bem entenderem, dêem amor às pazadas sem esperarem (velhacos) recebê-lo de volta, mas sobretudo amem-se. Respeitem-se. Sigam aí o que a voz de dentro sussurra. Não finjam que não ouvem. Só se enganam e perdem TEMPO. 

(É que vamos mesmo morrer. Sem dar por ela, passei num relance da miúda de 18 anos a chorar à janela do quarto, por causa de um Ramon, a ouvir esta menina, para a mulher de 41 anos assustada quando esquece como se chora, ou sente, ou repele a amargura, a ouvir ainda esta menina. Estava à janela da Assis Chateaubriand e puff vinte e três anos já eram.) 

Ainda que aos olhos dos outros que pretendam controlar existências alheias possam ser catalogados de egoístas, ingratos, cruéis e sei lá mais o quê que os rebanhos gostam de chamar aos que assumem a solidão que é escolher os próprios caminhos.

P.S. Fugir de pessoas tóxicas. (Nenhuma excepção admitida.)


quinta-feira, 18 de abril de 2019

O acaso

Qual a probabilidade de passar por mim o Escritor do Livro que estou a ler, perceber o meu sorriso involuntário e sorrir-me um olá de volta? Aconteceu. Agora mesmo. Martinho da Arcada. 

Manuel Vilas.

Caraças.



CREEP


Concedida a possibilidade de aperfeiçoar o que vejo ao espelho, seria a aberração. 

(17-12-2018)


terça-feira, 9 de abril de 2019

Encomendar um livro recomendado por alguém que nos interessa profundamente e lê-lo, mal nos chegue às mãos, pode ser a proximidade maior que alguma vez teremos com o mesmo. 

Aproveitemo-la.

#Panaceias
A tinta-da-china é incisiva a demonstrar-me que jamais se dobram cantos às folhas de um livro.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Uma mulher livre banha-se no Rio. Quem sou para lhe dizer que pare. Nada vestida. A corrente. A poluição. O medo. Meus. Uma mulher livre, só, faz o que lhe dá na gana. Não quer morrer. Pelo contrário, vive. E eu aflita, cheia de entraves, prossigo seca no meu caminho seguro, sem mergulhos. Há improváveis que acontecem talvez por acaso, talvez para que acorde. Presa a uma dormência escolhida, da qual não me consigo desembaraçar. 


segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Talvez a melhor parte de uma pessoa viver apaixonada não seja a paixão em si, mas a forma como os sentidos se apuram. A audição, por exemplo, vai directa ao músculo vital.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

ESPELHO MEU - A minha estreia na sétima arte

Escrevi o texto que concretizou o guião/argumento que o Hugo Pinto tinha na cabeça. Uma oportunidade maravilhosa que ele me deu. Um privilégio trabalhar com esta equipa de magníficos. O resultado-final ficou extraordinário graças ao som do Carlos Martins, à fotografia do Nuno Modesto, à realização, edição e montagem do Hugo, à produção da Ana Rute e da Cátia Figueiredo, à banda sonora do Tiago Granja, à pós-produção áudio do Miguel Saraiva, à Cláudia Pinto que ficou com os filhotes do Hugo e da Rute para que eles se pudessem entregar ao projecto e à prestação estrondosa de três actores de quem sou fã de ora em diante, Cláudia Semedo, Catarina Lima e Rodrigo Soares. Espelho meu foi feito em 48 horas no âmbito deste desafio: 


Inacreditável e inesquecível. 

OBRIGADA.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

OS CORPOS - RODRIGO MAGALHÃES

É preciso dizer em minha defesa que não senti este livro como desejava. Li-o, contra a minha natureza, no formato digital. Para se ler um corpo é preciso tocá-lo. Assim o são igualmente os livros. Em todo o caso falo dele porque, à semelhança de outros que considero bons, me perturbou. Desengane-se quem pensar que a escrita burilada ao detalhe simplifica. Custou-me entrar neste volume. Andei perdida nas primeiras páginas, procurando referências que norteassem a leitura. Irritei-me com as vozes múltiplas. Eis que me captou a atenção em momento indefinido. Julguei-me, enfim, apta a descortinar a(s) trama(s) oculta(s), forçando-as a relacionarem-se, a se enlearem numa qualquer lógica comum. Avancei ávida apenas para me descobrir ainda enganada. «Os corpos» não estão aí para nos facilitarem a vida leitora e não será essa a melhor literatura? Aquela que na vez de nos servir, solícita, respostas, presenteia com questões e perspectivas que nos levem a pensar muito depois da última página lida.

Um homem sem identificação foi encontrado morto, numa praia Australiana em 1948. Apesar de terem conseguido mapear alguns dos últimos passos dessa pessoa, não chegaram à sua identidade tendo sido o corpo embalsamado numa decisão inédita das entidades competentes. Dentro de um bolso interno das suas calças havia uma referência literária (Rubaiyat, de Omar Khayyam). Foi ao apelo deste caso insólito e verídico que o escritor não conseguiu resistir, dadas as inúmeras possibilidades que o mesmo lhe terá sugerido. Escolheu a inevitabilidade que liga os seres pensantes, a morte, como ponto de partida para uma narrativa fragmentada que estende os seus tentáculos em diferentes direcções que ora se cruzam, ora se apartam, ora seguem paralelas. Uma escrita a implicar princípios, meios e finais baralhando-os, sem que haja uma linha narrativa a direito, como a direito não é a nossa vida.

O que ainda ressoa. As inúmeras imagens nascidas no decorrer da leitura, quais instantâneos de um filme que não se esquece. As interpelações de determinados capítulos. A incredulidade ante a narrativa, como quando confrontada com o fim de alguém amado ou conhecido. O piloto-automático de muitas existências. A proximidade da primeira pessoa do singular e o distanciamento de um narrador indefinido. O jogo de um escritor que se revela para continuar iludindo. As coincidências que o são tão-só. E os acontecimentos simultâneos que inspiram a crença numa qualquer relação superior para tudo o que acontece, umas vezes sádica, outras tantas terna. O desafio de me achar incompetente para entender inteiramente o que tinha em mãos, que é como quem diz o incómodo de sentir a sagacidade a falhar-me.

O índice vem no fim. Só depois de morrermos poderá alguém tentar uma espécie de ordenação. Na capa, um vislumbre porvir.

Tal como o autor, gosto muito da palavra não. Não deixem de ler. Será, seguramente, uma experiência de leitura diferente.



P.S. Ora, que livro já recebi do Joaquim Gonçalves (A-das-Artes, Sines), perguntam vocês doidos de curiosidade. O primeiro, «Cinerama Peruana», pois, o qual lerei como deve ser, em papel. Coisas virtuais? Belheque, para citar Ana Rute.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

MEA CULPA - CARLA PAIS


Acabei ontem o «Mea culpa» da Carla Pais. Não há, nesta vida de livros, o que me deixe mais feliz do que ler um de alguém que conheço e ter vontade de passar palavra, para que chegue a mais olhos leitores. Este é um daqueles poderosos que convocam também o corpo para a leitura, de tal forma as palavras atingem, certeiras. Escrito com a coragem de dizer a vida arruinada exactamente como é, de um modo único. Belo. A voz da escritora é inconfundível. As frases encantatórias sussurram a trama bem urdida, afundam-nos no universo desesperante das personagens, todavia, entregam em cada página um fio de esperança, luz, beleza. De poesia. Duas pessoas criadas na desatenção que ao desamor pertence. Uma, Amadeu, regressa no treze de Maio à sua terra, de onde saiu escorraçado sob a acusação de um crime não cometido, para acertar contas com as alminhas cruéis, hipócritas, de roupa impoluta estendida e mãos nos peitos esvaziados aos domingos. Volta para não mais se esconder. Filho da puta da aldeia habituou-se ao afastamento, a que esperassem pouco do «malandro», a que não lhe fossem dadas oportunidades. Dez anos de cárcere mataram-lhe muita coisa dentro, mas geraram o espírito indómito que se comove com o abandono de um cãozito e o ampara, como se se provesse do afecto que faltou desde a própria concepção. Com o regresso a memória. Assistimos à injustiça, à impiedade, à tragédia, a como a verdade se esconde demasiado tempo sob o olhar das pessoas coniventes. Enquanto um retorna, a outra mal-amada foge de casa. Briosa filha de uma mãe-destroço alcoólica, demolidora, que penaliza os filhos pelas vilanias do pai-avô. Briosa irmã de um homem-bicho acorrentado impedido da dignidade e a quem cuida como pode. Esta menina «de encantos fáceis» ainda não sabe nomear o que sente. Mas percebe que sente e destemida entrega-se ao que puder viver. Pensamento livre parte para descobrir o mundo para lá das montanhas altas. (Aparentemente tão intransponíveis como os muros de uma prisão.) Vai na senda de respostas. Como serão os ninhos, os homens, o seu cheiro, a luz para lá do seu inferno. Lá, onde a voz da mãe a ameaçar matá-la não a alcance. Esta é uma história rica de gente viva. Um padre pecador, um presidente da junta criminoso, um coveiro gentil, um pastor solitário, um chulo sebento, beatas devotas à maledicência e aos preconceitos. Entre o regresso e a fuga os caminhos dos dois enjeitados vão cruzar-se, para nos provarem que onde haja vida, por mais desgraçada, nada submeterá o amor.       

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

A vinte e quatro minutos da eternidade


A mulher viaja de pé no comboio. Empunha o telemóvel. Permite que ocupem os assentos defronte, absorta nas palavras que profere. Sentados arrependem-se tarde. O discurso é escorreito, a dicção irrepreensível, todavia, os temas repetem-se obsessivos, repetitivos. Agressores. Há pessoas a rirem ao lado das incomodadas. Ninguém a interpela. Quanta solidão terá amontoado no peito para discorrer ilusões aos ouvidos de gente que não lhe quer bem. Testemunho a cena. Ouço as queixas e as questões veladas de passageiros, entre a piedade e a impotência. Comparo-me aos restantes, espectador da miséria alheia. Atitude nenhuma em seu favor. Na carruagem, dez usam o indicador ou o polegar, conforme o jeito, ao deslizarem o ecrã, queixo colado ao pescoço, costas esquecidas da rectidão. Quatro deles, de pé, ensaiam um equilíbrio precário, mais preocupados com o visor do que com a própria segurança. Sete lêem os seus volumes que variam entre o policial, o esotérico e o filosófico. Cinco dormem de pálpebras caídas, quatro mantêm os olhos mortiços entreabertos. O timbre da alienada é elevado, quanto baste. Sobrepõe-se ao barulho da máquina e das composições deslizando. Passamos por vidas descarriladas sem nos importarmos. Pode compreender-se à distância, mas esta mulher pede ajuda perto como consegue e habituamo-nos à sua presença, como se se tratasse de nos adaptarmos a condições meteorológicas adversas. Não se fazem casacos para este tipo de frio, a indiferença.
*
Ontem perorou sobre o ramo imobiliário. Descreveu com um detalhe aterrador um casarão às Janelas Verdes. Entremeava a dissertação com perguntas, se do outro lado estariam bem, se teriam visto fulano de tal e acusações disfarçadas sobre falhas a colmatar que não se conjugavam, de modo algum, com a descrição de azulejos, mobílias e varandas de ferro. Esta manhã, impinge-nos uma visita a um sanatório com descrições pavorosas sobre doenças pulmonares. Detecto uma senhora na iminência de devolver o pequeno-almoço. Em dia porvir sobre o que versará a elocução febril. Um casal de namorados partilha a música. Pelas suas expressões percebo o alívio de um dos ouvidos se manter ocupado com canções leves, livres de se inquietarem com as consciências. Trocamos sorrisos de cúmplice constrangimento. Que loucura é maior. A do louco, ou a do são que o desconsidera. Andamos demasiado ocupados para nos deixarmos afectar por catástrofes exteriores. Contamos com a aleatoriedade da existência para que nos não calhe em sorte a fragilidade. Decido: mudarei de horário. Fujo do confronto com a inércia. Recordo a senhora que me pediu ajuda, na véspera. Precisava de comprar o bilhete na máquina, recusei delicado conceder-lhe esse tempo, alegando a aproximação do comboio das sete e quarenta e um. Ainda a olhei carregada a descer as escadas em direcção à bilheteira, com a sua mala de dois dias de ausência, sossegado por não ter intuído a desilusão nos seus olhos. Compreendeu a pressa, sem julgamento. Adiei, pois, a sentença.
*
Acordei desmemoriado face à decisão. De novo o clamor. Com estrangeirismos irónicos apresenta os sujeitos alvos do diálogo actual. Quem acreditará que em linha haja alguém com tamanha paciência. Pelo menos eu, não acredito. O telefone é o pretexto do monólogo gritado sem que a interrompam, ou afastem com receio. É a ligação ao exterior. O bocal despista o facto de se dirigir a todos com quem se depara, embora estes optem por fingir que nada de extraordinário acontece no seu trajecto rumo ao trabalho, à faculdade, a um encontro romântico. Afinal, ela não corresponde à loucura concebida. Desgrenhada, suja, frenética. A sua voz é segura, os movimentos ponderados, a roupa impecável. Houve cuidado consigo, antes de se apresentar ao mundo. A ladainha ininterrupta. Parecendo que não, vinte e quatro minutos podem ser a eternidade. O tempo suspende nos corações de quem se deixa perturbar pelo susto de o mesmo suceder consigo. Ouvem-se as irregularidades dos carris com outra atenção. Pouca-terra. Quanto mais nos concentramos nelas, na tentativa de a enxotar do pensamento, mais nos denunciamos. Pouca-terra. Risos, enfado, desprezo, olhares enviesados. Pouca-terra. Ela impassível às reacções, indignadíssima a contar sobre um indivíduo que não chorara a morte da mãe e sobre aqueloutro esquecido pela família, encerrado no quarto, em dias sucessivos de agonia até ao estertor. «Ah, tens de desligar? Está bem. Beijinhos, beijinhos.» Do destinatário, nenhum indício. Ela desdenha a despedida, prolongando a chamada, quando um homem corpulento e de aspecto grosseiro toca leve no ombro encolhido, amparando o dispositivo. Emoldurado em preconceitos, ponderei a hipótese de pretender com o seu gesto intimidá-la ao ponto do silêncio. Ela, sem vestígios de desorientação. «Dá-me um minuto. Já te ligo.» Predispôs-se a dar ouvidos ao gigante com olhos sorridentes e boca interrogativa. «Sim?» Passos discretos aproximaram-me dos dois. Bendita a hora em que faltou lugar. Antecipei com gozo pérfido o confronto brutal. Todavia, apresentou-se. «Alexandre.» Obteve pronta resposta «Fides. Muito prazer. Os meus pais eram estudiosos da mitologia.» Esclareceu, antes de a estranheza do par e da nossa, que seguíamos os desenvolvimentos menos negligentes do que antes, se revelar. A bisbilhotice reúne adeptos mais fervorosos do que a solidariedade.
*
A conversa desenrolou-se fluida e envolvente. Estranhei a divergência drástica de comportamento. Há pouco, relatos massacrantes em voz projectada. Agora, uma mulher com nome de deusa diria enigmática, a quem gostaria de conhecer intimamente. Envergonhei-me. Reduzira a pessoa à única conduta conhecida. Definimos, limitamos. Classifiquei-a inapta, um estorvo no quotidiano pacífico. Alexandre soube procurá-la nas entrelinhas. Somos livros nas estantes dos outros. Aguardamos uma oportunidade, aquela vez em que decidam ir além da lombada exposta. É vital, nesta viagem a que chamamos vida, que alguém nos queira ler. Pensei nisto enquanto os vi a enunciarem os números de telefone, referências musicais, literárias e televisivas. Anotei, mentalmente, algumas. Invejei a ingenuidade de se darem a conhecer um ao outro, espontâneos.
*
Recordo, com gratidão, certo amigo. Não o procuro há meses. Atemorizo-me com a possibilidade de se terem transmutado em anos de afastamento consentido. Incapaz de recuperar a última vez, ouço ofegante a cadência do sinal. Atende. Despudorado exclamo estridente a saudade. Reparo no sobressalto da senhora que empunha o diário gratuito. Ergue-o ao nível do rosto, defendendo-se da alegria. Prossigo as demonstrações de afecto sem temor ao escrutínio alheio. Agendamos o reencontro. São oito horas. Em cinco minutos terei de me calar. Juntar-me-ei ao rebanho, aos tropeções, que descerá as escadas do metropolitano sem sorrir, olhar o vizinho, ou abrandar o ritmo arranjando tempo para se questionar se vai aonde deseja.
*
«Fim.»
«Lê outro, Clarice!»
«Mais logo… É meia-noite!»

Andreia Azevedo Moreira
Outubro de 2017

Dedicado a Ana Paula Carvalho.


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

fotografar palavras: # 920

fotografar palavras: # 920: "Firmei com a morte um pacto de liberdade."



Texto: Andreia Azevedo Moreira



Foto: Maria João Alves



Projecto: Paulo Kellerman

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Ando desde o dia em que recebi o telefonema da Ana para escrever sobre a Rita, cobarde para fazê-lo, porque ao firmar as palavras guardadas assumirei, enfim, o que gostaria que fosse mentira. Uma tremenda partida-maldade que pudesse ter esclarecimento. Decorreram estes dias e ela não regressou. Defronte ao parque em que nos juntámos para lhe prestar tributo, no dia seguinte à despedida derradeira, alinhavo frases que me ajudem a compreender a injustiça. Segmentos tortos. Feios. Tristes. Sem o brilho que ela mereceria neste esforço inglório para fixá-la. Como reter uma pessoa em palavras. Principalmente, uma mulher como ela que iluminava, apesar das provações. «Admiro-te.» Disse-lho algumas vezes. Ela ria-se, apoucando o meu fascínio, como se fosse simples o que fazia, o quanto lutava. Era aquele tipo de pessoa que de uma gota no fundo de um copo agradecia a bênção de a ter provado, saciava a sede por maior que fosse e sorria. Sorria inteira, mas mais com os olhos. É como a recordo. Rosto rasgado em riso, energia inesgotável, olhar vívido onde nunca li queixume. Que desígnio havia em levá-la. Lamento não crer em nada maior do que a própria vida, enquanto é e a Rita era enorme e tão necessária. Cá. Todos os dias recordo que a conheci, privei com ela e que a oportunidade de me inspirar com o seu exemplo mora, agora, apenas na memória. Passaram duas dezenas de dias e permaneço incrédula. Não faz sentido esta partida prematura. Penso no João e na Isabel que não mereciam ter de lidar com a dor mais funda. Intransmissível. Com uma saudade que será, enquanto viverem. Penso no José a quem o mundo desabou numa curva. Na família toda. Nos amigos íntimos. Se julgamos que isto passa a correr desenganemo-nos. O grave não é a rapidez com que corre, é deixar-se de ser de um segundo para o seguinte. Somos um sopro. A vida continua, sim, muito mais pobre e urgente.

Até já, Rita.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Rita

Revejo repetidamente o teu sorriso imenso e a força desmedida com que te atiravas à vida. Admiro-te. Disse-to muitas vezes. Descansa em paz. Teremos saudades da tua energia. 

Até já, miúda iluminada.

(Ainda não acredito que morreste.)

https://www.youtube.com/watch?v=i1GmxMTwUgs

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A GORDA de Isabela Figueiredo


Disse-me, certa vez, uma amiga: «Não te encares como a uma coisa estragada». Sou Maria Luísa. Vejo-me a custo no espelho do elevador, único que não posso evitar, com ela. Como ela. Estragadas, indignas da admiração alheia, do amor reservado apenas aos eleitos. Não obstante, eis a maior fé de todas, a alimentada a amor, a crença nos outros, ainda que nos tenham ensinado a desconfiar. Confiança em alguém que nos desse a mão nisto de «sermos quem viemos ser». Esta voz, poderosíssima, arrastou-me pelos cabelos. Andei de rojo enquanto não se calou. Dores no corpo, na alma, no passado. Fui visita de sua casa e, tal como recordo à minha mãe com os nossos convidados, apresentou-me às divisões da casa da margem-sul, herdada dos seus pais. Também ela viva, pulsante, guardadora de memórias, de outras vozes, outros corpos. O percurso asfixiante entre paredes é, em simultâneo, rumo à liberdade. É essencial essa libertação das recordações doloridas, do jugo dos julgamentos alheios, das vidas que os outros aceitaram e tentaram impingir, para que se torne habitável pela mulher cada vez mais próxima de si mesma. Voltei atrás no percurso. Por graça, procurei as relações entre as divisões e as narrativas. A porta de entrada, o presente. O culminar de um percurso longo. Uma decisão definitiva. O quarto de solteira contou-me sobre David, um amor desmedido, incontornável e ainda sobre Tony, uma amizade profundamente desigual que só se aceita a termo incerto. Na sala de estar senti o peso das gerações anteriores, dos seus dogmas, padecimentos, da castração, dos desencontros inevitáveis entre mentes que se limitaram e esta, que anseia voar. Revivem-se as histórias dos pais no quarto que foi seu. A fome, monstro de muitas faces, na cozinha. A fome não se cala, toma conta de tudo, tem o tamanho de todas as ausências que nos consomem. Na sala de jantar, divisão fechada em tantas casas, aguardando gente que não chega, deparei-me com a generosidade. Comovente. Grandiosa. Mas também com a violência, a imposição, as mentiras. Na casa de banho, a vergonha. O desacerto. A maternidade. A crueldade dos paradigmas. Um livro feito de contradições tal como o somos. Contrapõe diferentes modos de olhar a existência, ainda que quem no-lo relate seja sempre Maria Luísa. Claro está que isto é só um lusco-fusco. Rico em pessoas, vivências, em pensamento, este é um romance imperdível. Encontro-me no Hall das paredes que me engoliram durante seis dias. Antevejo para Maria Luísa o gozo da liberdade por que lutou durante anos e também as alegrias que merece. Mulher admirável. Talvez tenha saído de casa sem que me desse conta. Foi-se à vida. É, enfim, quem veio ser. Continuo cativa do que li e cheia de esperança.


Obrigada, Isabela Figueiredo.
P.S. Comprado na A-das-Artes, Livraria de Sines. Sem portes de envio. Pela mão do Livreiro Joaquim Gonçalves.


quarta-feira, 2 de agosto de 2017

CEM ANOS DE SOLIDÃO



Viver para contá-la é o título de um romance dele. Viver para lê-los, o nome que daria a autobiografia que um dia escrevesse. Haja vida para tantos imperdíveis. Sou mais feliz por não ter expirado antes de chegar ao «Cem anos de solidão». Arrebatamento incessante desde o célebre parágrafo primeiro ao último, não menos memorável. As nossas vidas todas dentro de uma obra gigante que nos devora e não o contrário. O leitor tem de parar para pensar, para  recuperar o fôlego, se quiser ter mãos, olhos, alma, que alcancem todas as camadas, todas as subtilezas das personagens (Macondo incluída), da saga, da linguagem ímpar de García Márquez. O incrível ao alcance do coração, a vergar até a mente mais racional. Tapetes que voam, o sangue filial que previne a mãe da própria morte, uma mulher que ascende ao céu. Acredita-se em tudo, sem hesitações, enlevo puro. Eis a fé que move montanhas cá dentro, eis o que me tem resgatado (além dos Pearl Jam) ao desconforto. Dizia o Poeta que todas as cartas de amor são ridículas. Perco-me na segunda versão desta que escrevo, porque não quis falhar a tentativa de falar sobre o meu, imenso, de ora em diante. Se com estas palavras trôpegas o levar a mais uma pessoa, valeu a pena expor-me. O tempo é implacável. O amor devastação. A solidão mortal. Espantar-me-ei, sempre, ante o imenso poder que a Literatura tem de iluminar as trevas.



Obrigada, Gabriel García Márquez.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

Saio viva de uma avalanche. Durante a semana que passou vivi oprimida, incapaz de me libertar do jugo de um livro, em asfixia. Há muito que não acontecia, de forma tão intensa, entrar no Universo de um Narrador. «Ensaio sobre a cegueira» de José Saramago, ao qual chego tarde, para não variar o histórico dos meus desacertos, é o grito de que a Humanidade necessitaria para acordar, que é como quem diz “para ver”, fosse possível. Apocalipse não é o que viria, fôssemos atingidos pelo mal branco. É agora, às claras, sob o céu azul brilhante e não em trevas inimagináveis. A visão (e mais do que essa, o modo de ver) e a inteligência seriam o que nos separa dos restantes animais. Todavia, a história da Humanidade aí está para nos contrariar a presunção. Agimos, amiúde, animalescos. Defendendo território, eliminando os mais fracos, ignorando ética e empatia. Perde-se a conta às vezes em que se assiste a pessoas a focinharem riqueza e poder. Há um fio de luz, de lucidez, a separar-nos da irracionalidade. Enquanto houver uma pessoa que mantenha um olhar Humano, empático, tentando ser justo, sobre os pares, haverá esperança, mesmo que defronte um mundo cego. Este Escritor ensina a tê-la, enquanto demonstra porque não deveríamos. Impossível sair ileso desta escrita prodigiosa.

195 BPM

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

UMA PARTE ERRADA DE MIM - PAULO M. MORAIS

Escrevo estas linhas ao som de Metamorphosis de Philip Glass, referência musical passada pelo Paulo M. Morais, numa troca de ideias no FB. Agradeci-lhe, à data, a referência que me remeteu para a viagem bela que o álbum convoca. Tento, agora, agradecer este livro, se é que é possível, perante tamanha generosidade. Metamorfose foi, também, o que ele me propôs ao longo das 310 páginas de “Uma parte errada de mim”. (Sim, incluo a página de agradecimentos finais no conteúdo do volume.) Dizem que Valery afirmou: «um poema nunca está acabado, somente abandonado». Se desejo que, para o Paulo, este livro tenha sido o folhear derradeiro do capítulo «Cancro», também tenho certo que o mesmo é tratamento de choque para cada um dos leitores afortunados que a ele cheguem. Doentes do corpo, da alma, de ambos, ou inconscientes da própria morte, prematura, em vida. 

«Uma parte errada de mim» chegou-me no tempo certo. Atendi ao seu apelo, curiosa, um pouco apreensiva quanto ao que me esperava. Gostaria de o ler neste registo, seria capaz de o fazer, até ao fim? 

Acompanhei os oito ciclos de quimioterapia, magoada pelas descrições cruas, que não poupam à violência do diagnóstico, dos primeiros pensamentos, do duro trilho da quimioterapia a seguir, do pânico da perda maior. Foram inúmeros os momentos em que não contive as lágrimas no comboio e não me preocupei em disfarçá-las. Chorei de tristeza, de angústia, de alegria, de ternura, com medo. À medida que li o líquido alaranjado a entrar nas veias do Paulo, fazendo o seu percurso abrasivo, numa tentativa científica de dizimar as células erradas que o ameaçavam, fui sendo, eu que me julgava saudável, igualmente curada. Às vezes é um cancro o que nos mata silencioso, outras, uma pessoa que nos quer mal. 

A realidade é que, por muito negra que a situação se preveja, há sempre escapatória. Quanto mais não seja pela libertação dos pensamentos que nos empurram para o abismo, que nos tornam amorfos, que impelem à desistência. As palavras do Paulo iluminam a esperança que alguns trazem, amiúde e injustamente, adormecida. 

 Os exemplos dos seus conflitos interiores apaziguam. O despojamento com que se nos dá a conhecer na sua timidez, complexidade, solidão, tristeza, melancolia, frustrações, nos seus amores e desamores, encontros e desacertos, ele que sempre soube melhor como afastar as pessoas, na vez de trazê-las para perto (Sei porque no-lo confessa lá dentro.), tem, precisamente, o efeito de nos aproximar.
Reconheci-me nele, apesar de todas as diferenças que tenhamos. Coloquei-me no seu lugar e repeti, a seu lado, este passeio aterrador pelo bosque de um linfoma que ele acolheu como ao lobo desenhado num túnel, por onde passava, rumo ao hospital. Trajecto que quis percorrer, sempre que pôde, pelos próprios pés, contrariando o susto, o horror à morte, a vontade de baixar os braços que uma pessoa, diante de um inimigo, poderia adoptar resignada, acabando antes de dar luta.


(Também me demonstrou como o cancro pode ser encarado como parte integrante, passível de aceitação, em vez de ser o elemento hostil que se renega, alheio.) 

Enquanto caminhamos, vai-nos contando sobre todos os prazeres da sua vida, percebemos que desvalorizarmos o que já temos é o que nos perde, que ansiar sem freio, pelo que pode nunca chegar, mata mais do que células a multiplicarem-se desobedientes em nós. Livros para ler. Canções para escutar. Filmes para ver. Ensinamentos a interiorizar. Convívios com pessoas queridas. Reatar de ligações que, na verdade, nunca se quebraram. O amor que acaba. As amizades que esfriam. Deixar partir quem não nos pertence. O amor maior a quem nos criou. O amor a uma filha que se queria poupar ao sofrimento. Um amor que começa. Abraços. Afectos. Desejo. Sexo. Demonstrações de gratidão para com os que nos cruzam o destino, enriquecendo-o. Dando força. Desafiando. Há tanto na vida vivida simples. 

(Obrigada, Paulo, por mo relembrares.)

Gratidão imensa por me assegurares que os erros pertencem-nos tanto, quanto as coisas bem-feitas. As injustiças, o egoísmo, também nos compõem. Não há que ter vergonha, não há que omiti-los. Há que os acolher como à doença maligna, como partes que também somos. Quem nos amar que o faça por inteiro. Que nos aceite despidos de muralhas fingidoras. 

 Este livro não é literatura, é a vida em si. Ainda bem que ele o escreveu. Tal como o próprio admite e eu subscrevo, não há uma sem a outra.

Escritor altruísta, pura expectativa de ajudar. Podia ter escrito outro que o levasse mais longe, que lhe rendesse mais elogios, maior visibilidade no meio literário, vendas mais proveitosas. 

Escolheu escrever este. Optou por dar tempo precioso (ele que conhece, melhor do que muitos, o seu valor) a passar o testemunho, a falar a quem possa precisar dele. Dádiva. Coragem. Conheço raras pessoas capazes de se mostrarem, sem roupagem, desta maneira. 

Eis um homem com tudo o que um homem pode ser, a escrever as suas partes erradas para que nós, leitores, possamos atalhar o nosso caminho na procura das certas. 

Obrigada, Paulo, por este livro cheio de Vida e de Amor.


És enorme.

(Que esteja para breve o nosso abraço.)

Uma tua leitora.

Para sempre.


Nota final: Quem mo vendeu? O Joaquim Gonçalves das A-das-Artes, pois claro. Sem portes de envio (em Pt). De Sines, para Carcavelos e para o mundo!




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

fotografar palavras: # 409 - Foto: Maria João Alves

fotografar palavras: # 409: "É-te mais fácil o uso do meu corpo se eu não tiver um rosto, olhos que interroguem?" Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Maria João Alves

fotografar palavras: # 397 - Foto: Teresa Marques dos Santos

fotografar palavras: # 397: "Era-me inconcebível encaixar qualquer mágoa nas recordações de ternura." Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Teresa Marques dos Santos

fotografar palavras: # 397 - Foto: Teresa Marques dos Santos

fotografar palavras: # 397: "Era-me inconcebível encaixar qualquer mágoa nas recordações de ternura." Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Teresa Marques dos Santos

fotografar palavras: # 395 - Foto de Cláudia Andrade

fotografar palavras: # 395: "O seu único talento: descortinar as subtilezas da vida." Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Cláudia Andrade

fotografar palavras: # 391 - Foto de Bruno Mourinha

fotografar palavras: # 391: "Todos os dias lhe ensinou: «A vida é não desistir.»" Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Bruno Mourinha

fotografar palavras: # 379 - Foto de Sónia Silva

fotografar palavras: # 379: "«Só.» Quanto peso numa palavra tão pequena." Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Sónia Silva

fotografar palavras: # 373 - Foto de Mónica Brandão

fotografar palavras: # 373: "Morri sem que o meu corpo me acompanhasse." Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Mónica Brandão

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

USURPAÇÃO DE IDENTIDADE

Alguém fez um livro em meu nome. Desconheço o conteúdo. Tem a minha imagem na capa e o meu nome. No depósito legal está registado com o nome com que assino os meus contos e que é o único que tenho: Andreia Azevedo Moreira. 

Quem me conhece saberá que não faria uma coisa de tão mau gosto. Apresentarei queixa, pois. Que ninguém vá ao engano. Quero ser lida em papel, sim, mas eu decido os termos em que tal acontece. 

Isto que alguém fez é crime. São vários crimes, aliás.

Sinto piedade desse coração deturpado.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Foto: Mónica Brandão - fotografar palavras: # 373

fotografar palavras: # 373: "Morri sem que o meu corpo me acompanhasse." Texto: Andreia Azevedo Moreira

FOTO de Elisabete Antunes - fotografar palavras: # 367

fotografar palavras: # 367: "Agi como se a existência pudesse ser traduzida em gargalhadas e nada, a não ser secura. Tudo é angústia."

Texto: Andreia Azevedo Moreira

Foto: Bruno Mourinha - fotografar palavras: # 359

fotografar palavras: # 359: "Demonstrado ficou que um silêncio desmedido pode não significar quietude, antes o momento que antecede inexorável predação."

Texto: Andreia Azevedo Moreira

Foto: Maria João Faísca - fotografar palavras: # 344

fotografar palavras: # 344: "Quando uma direcção se impõe, é no desnorte que me encontro."

Texto: Andreia Azevedo Moreira

Foto: Sílvia Bernardino - fotografar palavras: # 331

fotografar palavras: # 331: "«Só.» Quanto peso numa palavra tão pequena."

Texto: Andreia Azevedo Moreira

FOTOGRAFIA de Elisabete Antunes - fotografar palavras: # 324

fotografar palavras: # 324: "Observo-te do outro lado da rua. Mantemo-nos à distância, uns instantes. Não desviamos os olhos presos. Serei capaz de atravessar? Sou.

Texto: Andreia Azevedo Moreira

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

fotografar palavras: # 308 - Fotografia de Maria João Alves

fotografar palavras: # 308: "Falta-me um encaixe. Poderia ser ilusório. Não há calor neste estado. Os sentidos perderam-se neste espaço imenso que criei ao me...

fotografar palavras: # 303 - Fotografia de Rosa Paixão

fotografar palavras: # 303: "Há que continuar. A vida empurra." Texto: Andreia Azevedo Moreira Foto: Rosa Paixão

fotografar palavras: # 301 - Foto de Bruno Mourinha

fotografar palavras: # 301: “Novela: Bater a bota Certo dia meti-me numa casota convencido de que podia bater a bota atropelado por uma mota. Cenas dos próximos capítulos: Mas não foi bem assim. Conheci uma pinguim que me levou para o pólo Norte, por ter gostado de mim.”

Texto: Andreia Azevedo Moreira

fotografar palavras: # 299

FOTOGRAFIA: Sílvia Bernardino

fotografar palavras: # 299: "Todos os dias, pela manhã, se interroga quem lhe terá apagado as tarde e as noites." Texto: Andreia Azevedo Moreira