quinta-feira, 12 de março de 2026

Pessoas com responsabilidade em cargos públicos:

que dizem com desprezo, numa sessão pública, fazendo gestos com as mãos afinadas pelo mesmo:

Agora só querem ensinar essas coisas dos direitos humanos às nossas crianças e outros assuntos, enfim, bastante questionáveis, quando deviam era ensinar-lhes a...

Lamento que ainda não vos tenha chegado à percepção que os direitos humanos dizem respeito à humanidade no seu todo

A menos que se considerem mais chegados aos bichos, alegadamente, irracionais. 

Ou que se pensem, arrogantemente, leões, reis-da-selva, a quem a formiga parece não dizer respeito.

Sabem aquelas palmas que nestas sessões se batem, por bater, para assinalar o fim da apresentação? 

Não bati.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Aquele toque de sensualidade...

Adoro pintar os lábios de vermelho, ultrapassada a estranheza das primeiras vezes em que me sentia um palhaço. E mesmo então adorava tê-los dessa cor maravilhosa. Cor mais do que adequada à manif onde fui ontem. Mas a verdade, minhas amigas, meus amigos e fluidos, é que além dos tutoriais de maquilhagem me perderem aos primeiros nano-segundos, não tenho prática suficiente do seu uso para jamais me esquecer de que vou pintada. Vai daí, volta e meia sinto uma comichão e ando o resto do dia como quem levou um banano no olho. Ora ontem, ia no comboio e um homem olhava insistentemente para mim, sorrindo. E eu, para mim. Olha viste, ainda tens aquele toque de sensualidade...Saio do comboio, dirijo-me ao metro, ando umas quantas paragens e, quando vou para sair na Avenida, olho para o meu reflexo na porta do metro. Tenho mais dois centímetros de lábio inferior. Penso. Deve ser ilusão de óptica. Saio do metro, saco do telemóvel. Não era. Começo a tentar remediar. Mas o batom chama-se shine bomb caros telespectadores. Aquilo é à prova de chuva ácida. Ergo a cabeça com a maior dignidade e sigo para a manif com o seguinte argumento: das duas uma ou foste beijada sem consentimento ou deste um linguadão bem gostoso. Em todo o caso, está comprovado que, aconteça o que acontecer, deixei de sentir vergonha. Plim.

Uma alegria:

 Sambar em plena Avenida da Liberdade.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Estou viva!

https://www.youtube.com/watch?v=mTXRXddDuvY





















Sabem o que é sentir o coração e o resto do corpo a vibrarem de uma alegria sem medida?

Eu sei! 

A minha amiga Sandra Cid desafiou-me a ir falar à sua escola para cerca de 60 miúdos, entre os 16 e os 18 anos, a pretexto de no domingo ser o dia internacional da mulher, vai daí, fui falar dos três temas que mais me apaixonam, defesa dos direitos humanos (onde se incluem os direitos da mulher, claro, ainda é preciso dizer porque é que AINDA precisamos de falar todos os dias e, também, todos os anos, no que significa, efectivamente, este pensar o 8 de Março, fixado nos anos 70 pela ONU?); livros e literatura (principalmente, pela data celebrada, escritos por mulheres) e escrita.

Foi uma experiência arrebatadora.

Temia ver caras fechadas, desinteressadas, que gritassem nas suas expressões de repulsa  quando é que tiram esta gaja daqui? E o que aconteceu ultrapassou todas as minhas expectativas. Ouviram-me. Perguntaram. Debateram. Contestaram. Interessaram-se (admito que em 60 almas houvesse quem me quisesse a morte, mas vá, falemos na globalidade dos rostos que observei).

No fim, uma escritora de 17 anos procurou-me. Queria anotar os três livros que recomendei para darem força a esse percurso para a vida inteira. Estava emocionada e eu emocionei-me com ela. Abracei-a. Disse-lhe: escreve. Escreve. Escreve. Não desistas. 

Uma artista da mesma idade, que fez um dos maravilhosos quadros que embelezavam a biblioteca, com os bustos de mulheres admiráveis, ofereceu-me uma caneta da escola, e abracei-a também.

O meu peito encheu-se de esperança.

Aquela sala, ao contrário do que esperava encontrar, estava cheia de leitores. Falei para muitos convertidos. E valeu cada segundo.

Foi a primeira vez, numa apresentação de qualquer coisa, que não falei a ler um papel, com a voz a tremer, insegura quanto ao que transmitia. Falei directamente com a voz das minhas paixões. Sem cábula, sem rede. "Só" o meu amor às palavras, à linguagem, à literatura. 

Ancorada nas dezenas de livros que levei e que me iam dando as dicas do que dizer a seguir. 

Magicamente, quando alguém intervinha, chegava a deixa do que tinha pensado dizer.

Hora e meia, um sopro de vida bem vivida.

Hoje, pela primeira vez soube, o que é colocar ao serviço dos outros, sem desejar receber em troca, o que tenho aprendido nos últimos 41 anos. Desde que aprendi a ler e a escrever, até ao dia de hoje, e em que senti que genuinamente me cumpri.

Os livros: guardiões da nossa humanidade.

Se me desse um coisinha má, hoje, morreria feliz.

Obrigada, Sandra.

Obrigada, alun@s queridos que me ouviram tanto tempo.

Obrigada, Escola Secundária Matilde Rosa Araújo.

Relembro os Clã:

Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e salto
Sinto um formigueiroNas mãos e nos braçosPassarinhos na cabeça
Catavento nos ouvidosMil antenas nos cabelosQuem me leva, tenho pressa
Pé de cabra, pé de dançaDançar por gosto, não cansaNão vou só, levo o meu bandoA dança nos vai juntando
Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e salto
Se me pesa o traseiroLevanto o meu narizPerco o medo e a vergonha
Fecho os olhos e aí vouJá não estou onde estouNem sei quando posso parar
Pé de cabra, pé de dançaDançar por gosto, não cansaNão vou só, levo o meu bandoA dança nos vai juntando
Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e salto
Salto sem pararSalto sem parar
Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e salto
Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, mais alto

  


quinta-feira, 5 de março de 2026

O amanhã não existe...

Triste como se me tivesse morrido alguém que amo. O escritor que me faz ouvir música por dentro quando o leio. Um dos meus eleitos de sempre e para sempre. Ainda bem que ainda ficam tantos dos seus livros para eu ler. Darão até ao fim dos meus dias. Enorme, gigante ALA. Gostava da personagem que vestiu para nós,  embora me soasse sempre a tragédia e solidão. ❤️‍🔥




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

CHEGA HOJE AO MUNDO LITERÁRIO esta revelação:

Tia Zezinha: Inacreditável. Deixou-me sem palavras.

Falecida Avó Maximina: Não li, mas se tivesse lido, benzia-me toda.

O Guarda Nocturno da Rua de Cima: É talvez o mais significativo projecto literário do nosso tempo. (Posso estar a exagerar um bocadinho, vá.)

Um otorrinolaringologista que encontrei nas urgências: É de cortar a respiração. Não conseguimos parar. Não queremos parar. (Por favor alivia um bocadinho o nó da gravata, já disse o que pediste igualzinho à contracapa do Karl.)

Um antigo professor de escrita criativa: foda-se, estava a ver que não. 

O meu eu de há 7 anos: foda-se, estava a ver que não.

Uma pessoa que não se quis identificar: eu sabia que ia dar certo por isso é que fiquei ressabiada com o que ela escreveu. Sem querer tocou-me cá num ponto sensível e não soube lidar.

Tio Adérito: essa merda é sobre quê mesmo?

Eu de agora: comprem, leiam mesmo e descubram. Muito obrigada!



ou 

Mensagem directa na página do Instagram da Editora: 

minimalista.editora







sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

 TEOLINDA GERSÃO

"Vemos, ouvimos, lemos, não podemos ignorar." Sophia de Mello Breyner Andresen

CARTA ABIERTA AL MUNDO: DESDE CUBA, UNA MUJER DE A PIE DENUNCIA EL CRIMEN QUE NO QUIEREN VER

A la humanidad entera, a las madres del mundo, a los médicos sin fronteras, a los periodistas con dignidad, a los gobiernos que aún creen en la justicia:

Me llamo como millones. No tengo apellidos conocidos ni cargos importantes. Soy una cubana de a pie. Una hija, una hermana, una patriota. Y escribo esto con el alma desgarrada y las manos temblando, porque lo que hoy vive mi pueblo no es una crisis. Es un asesinato lento, calculado, fríamente ejecutado desde Washington.

Y el mundo mira hacia otro lado.


DENUNCIA POR MIS ABUELOS:

Denuncio que en Cuba hay ancianos que mueren antes de tiempo porque el bloqueo impide que lleguen medicamentos para el corazón, la presión, la diabetes. No es falta de recursos. Es prohibición deliberada. Empresas que quieren venderle a Cuba son multadas, perseguidas, amenazadas. Sus gobiernos callan. Y mientras tanto, un abuelo cubano aprieta el pecho y espera. La muerte no avisa. El bloqueo sí.


DENUNCIA POR MIS NIÑOS:

Denuncio que hay incubadoras en Cuba que han debido apagarse por falta de combustible. Que hay recién nacidos luchando por su vida mientras el gobierno de Estados Unidos decide qué países pueden vendernos petróleo y cuáles no. Que hay madres cubanas que han visto peligrar la vida de sus hijos porque una orden firmada en una oficina de Washington vale más que el llanto de un bebé a 90 millas de sus costas.

¿Dónde está la comunidad internacional? ¿Dónde están las organizaciones que tanto defienden la infancia? ¿O es que los niños cubanos no merecen vivir?


DENUNCIA POR EL HAMBRE INTENCIONAL:

Denuncio que el bloqueo es hambre programada. No es que falte comida porque sí. Es que nos impiden comprarla. Es que los barcos con alimentos son perseguidos. Es que las transacciones bancarias son bloqueadas. Es que las empresas que nos venden granos, pollo, leche, son sancionadas.

El hambre en Cuba no es un accidente. Es una política de Estado del gobierno de Estados Unidos, refinada durante 60 años, actualizada por cada administración, recrudecida por Donald Trump y ejecutada con saña por Marco Rubio.

Ellos llaman a esto "presión económica". Yo lo llamo terrorismo con hambre.


DENUNCIA POR MIS MÉDICOS:

Denuncio que nuestros médicos, los mismos que salvaron vidas en la pandemia mientras el mundo entero colapsaba, hoy no tienen jeringas, ni anestesia, ni equipos de rayos X. No porque no sepamos producirlos. No porque no tengamos talento. Sino porque el bloqueo nos impide acceder a los insumos, a los repuestos, a la tecnología.

Nuestros científicos crearon cinco vacunas contra la COVID-19. Cinco. Sin ayuda de nadie. Contra viento y marea. Contra bloqueo y mentiras. Y aún así, el imperio nos castiga por haberlo logrado.


AL MUNDO LE DIGO:

Cuba no les pide limosna.

Cuba no les pide soldados.

Cuba no les pide que nos quieran.

Cuba les pide justicia. Nada más. Nada menos.

Les pido que dejen de normalizar el sufrimiento de mi pueblo.

Les pido que llamen al bloqueo por su nombre:CRIMEN DE LESA HUMANIDAD.

Les pido que no se dejen engañar por el cuento del"diálogo" y la "democracia" mientras nos aprietan el cuello.

No queremos caridad. Queremos que nos DEJEN VIVIR.


A los gobiernos cómplices que callan:

La historia les pasará factura.


A los medios que mienten:

La verdad siempre encuentra grietas.


A los verdugos que firman sanciones:

El pueblo cubano no olvida y no perdona.


A los que aún tienen humanidad en el pecho:

Miren a Cuba.Miren lo que le hacen. Y pregúntense: ¿De qué lado de la historia quiero estar?


Desde esta isla pequeña, con un pueblo gigante,

Una cubana de a pie que se niega a rendirse.

SI ESTE TEXTO TE MOVIÓ POR DENTRO, COMPÁRTELO.

No me importa si tienes 10 amigos o 10 mil seguidores. No me importa si tu muro es público o privado. No me importa si nunca compartes nada. Pero esto es diferente. Esto no es una foto de un atardecer. Esto no es una noticia de farándula. Esto no es una opinión más. Esto es un GRITO. Y los gritos no se guardan. Se ESCUCHAN. Se REPLICAN. Se VUELVEN MULTITUD.

Hoy no te pido un "me gusta". Te pido que uses tus pulgares para algo más grande que desplazar la pantalla. COMPARTE. Para que el mundo sepa que en Cuba no hay una crisis.Hay un CRIMEN. Para que las madres de otros países sepan que aquí hay bebés luchando en incubadoras apagadas por el bloqueo. Para que los abuelos de otras tierras sepan que aquí hay ancianos que mueren esperando medicamentos que Washington no deja entrar. Para que los gobiernos cómplices sientan vergüenza. Para que los medios mentirosos no tengan escapatoria.

Para que los verdugos sepan que NO NOS CALLAMOS. Una sola persona compartiendo esto no cambia el mundo. Miles, millones, SÍ. No te quedes con este texto guardado. No seas cómplice del silencio. HAZ QUE ESTA DENUNCIA LLEGUE MÁS LEJOS QUE EL BLOQUEO.

Ikay Romay

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Gosto da concisão:

Eis um livro muitíssimo bem escrito. Envolve do início ao fim com o essencial. Gostei muito da voz literária, poderosa, do modo como o sexo está contado (sente-se no corpo o relato), da subtileza do que é narrado. Em poucas páginas nos é dado muito. Fica a bailar no pensamento depois de ter sido fechado. Personagens sem nome que nos atingem profundamente. Três gerações de mulheres, as suas dores, as suas dificuldades, o quanto se cumprem ou deixam oprimir. O que mais se pode exigir a um bom livro?