terça-feira, 11 de agosto de 2026





 

LEITORES

Beatriz

Vanda

Hugo

Carla

Nos últimos dias, recebi retorno das leituras de O que faltou, destes quatros queridos leitores.

Tenho andado a divergir do que me ocupou o coração e a cabeça durante a vida adulta. Vieram, então, estas pessoas amorosas lembrar-me: psst, o que fizeste conversou comigo.

Essa comunicação é preciosa. É tudo: o diálogo entre as palavras de quem escreveu e o íntimo do leitor.

Obrigada, aos 4 e a todos os que ajudaram a (praticamente) esgotar esta edição do livro que esteve para não acontecer, porque não acreditava nele e que aconteceu, porque, felizmente, foi tão rejeitado que, acabei por perceber que, ou acreditava eu, ou não valeria a pena continuar. Como preciso disto para não enlouquecer, pumbas, avancei com a coragem que tinha.

Um bocado à semelhança de um episódio dermatológico:

Andava convicta de que estaria a ficar careca, tal qual meu pai.

Vem a dermatologista bruta confirmá-lo. Sim, senhora, a menina não pode ter tudo e, de facto, isto está a cair qual árvore de folha caduca no Inverno, só que na Primavera não volta.

Eu (depois de anos convicta que sim, senhora, teria de me resignar à calvície congénita): careca? É o caralhinho! 

Eis que voltou a Primavera. 

Continua... 




Adenda: claramente isto não é um exercício de escrita criativa em que não se possa usar «que».

Adenda 2: também há os leitores paternalistas (já lá vão 2 e coincidência das coincidências com o mesmo nome), que vêm tentar demonstrar à mulher pretensamente escritora, onde é que ela falhou 'tadita. A esses mando um beijo repenicado e faço um manguito mental. Como se eu não fosse a minha primeira grande crítica. Oh pá, não me venham moer no pouco tempo que me resta. Faço o que me apetece, como apetece e, mais importante, com as capacidades que tenho que podem, admito, ser limitadas. Por algum motivo, não cheguei à Penguin. Ora, se me querem ensinar, ensinem como os mestres (Lídia Jorge, para dar o meu exemplo preferido). Críticas construtivas, objectivas, exclusivamente literárias, sem laivos de superioridade moral ou afim e, pasmem-se, com generosidade e cuidado com o interlocutor.  

Adenda 3: uma vez ouvi o Gonçalo M. Tavares numa sessão em Oeiras, para uma velha, que teve o mesmo tipo de atitude «Porque é que está tão zangada comigo?» Achei-lhe uma graça, no tom delicado e na pergunta pungente. Parecia mesmo preocupado com o ressaibo da velha. ah ah



sábado, 8 de agosto de 2026

Quem escolhes ser?

 





Este livro é um portento: obra de arte, manifesto, acusação, perguntas, diálogo, interpelação, monólogos, convite à acção, é grito, silêncio ensurdecedor, é contemplativo, repulsa, esperança, luz, trevas, guerra, sangue, morte, dúvidas, massacres, passado, presente e desejo de um futuro. Pontos de vista: mil. Modos de o ler, mais ainda. É inteligência e a estupidez que nos cega. São urgentes os questionamentos. Muitíssimo bem escrito, arrebatadoramente bem esgalhado. Uma escritora belíssima! Imaginem a tragédia de só poderem ler um livro no que resta de 2026: leiam este! 


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Nolan

Como sou ignorante passo as polémicas e depois de assistir a um filme, ou mesmo durante, centro-me no que me dizem a pele, o coração e a cabeça. Por vezes, a garganta.

Três horas de filme.

Soluço involuntário com Argos. Embargo na alma.

Trago as palavras:

Pára de resistir. Deixa o controlo. Vive.

E agora o que fazer quando tudo arde?

Ler, pela primeira vez, a Odisseia.

Procurar Ítaca?

Não...

A esperança.


sexta-feira, 24 de julho de 2026

«I'll end up alone like I began»

Para mim, o problema dos grupos, qualquer que seja a índole, a (eventualmente boa) intenção, ou o âmbito em que se inserem, é que tarde ou cedo me cheiram a seita e à tentativa de homogeneizar o grupo no sentido do pensamento único. Ora isso, até a mim que coro, espumo da boca e elevo o tom de voz quando defendo apaixonadamente o meu ponto de vista (apartadíssima da assertividade que ambiciono) repele de um modo inelutável.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

O que faltou vai às aulas

O que faltou foi a Creta com a Carla N.

O Paulo José Miranda tem esta generosidade fantástica de usar parte do seu tempo precioso para, na vez de tocar metal na sua guitarra eléctrica ou estudar filosofia, analisar de modo sempre surpreendente alguns livros que escrevo. Já tiveram essa sorte: "Augustine e os maus sentimentos", "Depois do abismo o canto dos pássaros" e "Pesar o adeus". À terceira não foi de vez e eis que este querido Mestre regressa com a sua leitura de "O que faltou", um livro que foi encomendado por uma editora que não terá gostado do que leu, esteve para não ver a luz do dia, quase me fez desistir da escrita e se compõe de todas as pessoas maravilhosas que tenho conhecido, neste caminho dos livros, numa trama de gente boa que me habitará até ao último suspiro. É feito também do que considero os sucessos e os infortúnios dos passos que dei como escritora. Escritora? Serei, sim, enquanto por cá andar e o coração bater. Se terei mais livros publicados? Vejam bem: é uma incógnita, este mesmíssimo esteve para não acontecer. E isso importa? Perguntei-me muitas vezes. À data de hoje, direi que não. Faço o que me compete. Trabalho. Amo cada instante em que me sento com este fito, ou deambulo embrenhada nas ideias por concretizar. O futuro que alinhavo com frases: à sorte, ao universo, a deus, a Deus, aos deuses, à Natureza, ao Amor (àquilo em que cada um quiser crer) pertence.  

Resumindo, para quem não teve pachorra de ler acima:

Duas sessões alternativas em Julho e em Agosto.

Ou seja, lêem até à página 69 (Me encanta, por supuesto.) e assistem a uma das duas sessões de Julho (23 ou 25).

Lêem da 69 (ai, ai, delante, delante) em diante e assistem a uma das duas sessões de Agosto (27 ou 29)

Inscrições com o Paulo José Miranda. Procurem-no que o acham.

VALOR: 20 Euros por mês.

quarta-feira, 1 de julho de 2026

PARABÉNS A VOCÊS (e a mim um bocadinho também!)

https://minimalistaeditora.pt/ 


Oferta de um livro na compra de outro, durante algumas horas  (venda flash teve início às 18h e terá o seu término às 23h59 - Desejando, vão ao insta.)

sábado, 20 de junho de 2026

Unidos, unidos: mais dificilmente seremos vencidos

Comovi-me com as palmas no parlamento.

O pacote laboral inenarrável proposto pelo PSD caiu.

Por enquanto, a classe trabalhadora continua dentro do possível protegida.

O Ventura mostrou mais uma vez quem é. 

O Montenegro que amargue ter-se contradito no NÃO É NÃO, mentindo aos seus eleitores.

Que os que votaram nestas pessoas acordem.

Que em vez de divulgarem a lista dos ameaçados, divulguem a lista e os rostos dos violentos.

Que a vergonha mude de lado.

Que o povo se mantenha unido.

Como disse Lídia Jorge (e atenção que embirro quando pessoas se socorrem das citações dos ilustres): "calcem as galochas, vamos atravessar a lama."

Por hoje, deleito-me na comoção desta vitória da nossa voz.



segunda-feira, 15 de junho de 2026

quinta-feira, 11 de junho de 2026






Há um tema, para mim, actualmente. Comum a todos estes títulos. 


Há dois projectos literários que me interessam profundamente, hoje em dia. Estão em destaque nestas fotografias. 

Há vida a romper em todo o lado e esperança quando as pessoas se juntam. Abençoada hora em que cheguei atrasada ao que me tinha proposto fazer e desse modo pude assistir ao que os quatro disseram na apresentação do Hoje, 3 de Maio da Patrícia Portela. 

Já  a tinha na mira leitora há muito.  Mas este é o meu primeiro Patrícia Portela.

De muitos, estou certa.

Balancei não vir aqui este ano, mas ainda bem que o fiz.







E "agora", teatro.