https://www.youtube.com/watch?v=mTXRXddDuvY
Sabem o que é sentir o coração e o resto do corpo a vibrarem de uma alegria sem medida?
Eu sei!
A minha amiga Sandra Cid desafiou-me a ir falar à sua escola para cerca de 60 miúdos, entre os 16 e os 18 anos, a pretexto de no domingo ser o dia internacional da mulher, vai daí, fui falar dos três temas que mais me apaixonam, defesa dos direitos humanos (onde se incluem os direitos da mulher, claro, ainda é preciso dizer porque é que AINDA precisamos de falar todos os dias e, também, todos os anos, no que significa, efectivamente, este pensar o 8 de Março, fixado nos anos 70 pela ONU?); livros e literatura (principalmente, pela data celebrada, escritos por mulheres) e escrita.
Foi uma experiência arrebatadora.
Temia ver caras fechadas, desinteressadas, que gritassem nas suas expressões de repulsa quando é que tiram esta gaja daqui? E o que aconteceu ultrapassou todas as minhas expectativas. Ouviram-me. Perguntaram. Debateram. Contestaram. Interessaram-se (admito que em 60 almas houvesse quem me quisesse a morte, mas vá, falemos na globalidade dos rostos que observei).
No fim, uma escritora de 17 anos procurou-me. Queria anotar os três livros que recomendei para darem força a esse percurso para a vida inteira. Estava emocionada e eu emocionei-me com ela. Abracei-a. Disse-lhe: escreve. Escreve. Escreve. Não desistas.
Uma artista da mesma idade, que fez um dos maravilhosos quadros que embelezavam a biblioteca, com os bustos de mulheres admiráveis, ofereceu-me uma caneta da escola, e abracei-a também.
O meu peito encheu-se de esperança.
Aquela sala, ao contrário do que esperava encontrar, estava cheia de leitores. Falei para muitos convertidos. E valeu cada segundo.
Foi a primeira vez, numa apresentação de qualquer coisa, que não falei a ler um papel, com a voz a tremer, insegura quanto ao que transmitia. Falei directamente com a voz das minhas paixões. Sem cábula, sem rede. "Só" o meu amor às palavras, à linguagem, à literatura.
Ancorada nas dezenas de livros que levei e que me iam dando as dicas do que dizer a seguir.
Magicamente, quando alguém intervinha, chegava a deixa do que tinha pensado dizer.
Hora e meia, um sopro de vida bem vivida.
Hoje, pela primeira vez soube, o que é colocar ao serviço dos outros, sem desejar receber em troca, o que tenho aprendido nos últimos 41 anos. Desde que aprendi a ler e a escrever, até ao dia de hoje, e em que senti que genuinamente me cumpri.
Os livros: guardiões da nossa humanidade.
Se me desse um coisinha má, hoje, morreria feliz.
Obrigada, Sandra.
Obrigada, alun@s queridos que me ouviram tanto tempo.
Obrigada, Escola Secundária Matilde Rosa Araújo.
Relembro os Clã:












Que nos aguardem mais encontros. Destes, de alma, de coração. Mais como tu!
ResponderEliminarFoi umas das grandes alegrias da minha vida inteira, esta manhã! Obrigada!
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