sexta-feira, 6 de março de 2026

Estou viva!

https://www.youtube.com/watch?v=mTXRXddDuvY





















Sabem o que é sentir o coração e o resto do corpo a vibrarem de uma alegria sem medida?

Eu sei! 

A minha amiga Sandra Cid desafiou-me a ir falar à sua escola para cerca de 60 miúdos, entre os 16 e os 18 anos, a pretexto de no domingo ser o dia internacional da mulher, vai daí, fui falar dos três temas que mais me apaixonam, defesa dos direitos humanos (onde se incluem os direitos da mulher, claro, ainda é preciso dizer porque é que AINDA precisamos de falar todos os dias e, também, todos os anos, no que significa, efectivamente, este pensar o 8 de Março, fixado nos anos 70 pela ONU?); livros e literatura (principalmente, pela data celebrada, escritos por mulheres) e escrita.

Foi uma experiência arrebatadora.

Temia ver caras fechadas, desinteressadas, que gritassem nas suas expressões de repulsa  quando é que tiram esta gaja daqui? E o que aconteceu ultrapassou todas as minhas expectativas. Ouviram-me. Perguntaram. Debateram. Contestaram. Interessaram-se (admito que em 60 almas houvesse quem me quisesse a morte, mas vá, falemos na globalidade dos rostos que observei).

No fim, uma escritora de 17 anos procurou-me. Queria anotar os três livros que recomendei para darem força a esse percurso para a vida inteira. Estava emocionada e eu emocionei-me com ela. Abracei-a. Disse-lhe: escreve. Escreve. Escreve. Não desistas. 

Uma artista da mesma idade, que fez um dos maravilhosos quadros que embelezavam a biblioteca, com os bustos de mulheres admiráveis, ofereceu-me uma caneta da escola, e abracei-a também.

O meu peito encheu-se de esperança.

Aquela sala, ao contrário do que esperava encontrar, estava cheia de leitores. Falei para muitos convertidos. E valeu cada segundo.

Foi a primeira vez, numa apresentação de qualquer coisa, que não falei a ler um papel, com a voz a tremer, insegura quanto ao que transmitia. Falei directamente com a voz das minhas paixões. Sem cábula, sem rede. "Só" o meu amor às palavras, à linguagem, à literatura. 

Ancorada nas dezenas de livros que levei e que me iam dando as dicas do que dizer a seguir. 

Magicamente, quando alguém intervinha, chegava a deixa do que tinha pensado dizer.

Hora e meia, um sopro de vida bem vivida.

Hoje, pela primeira vez soube, o que é colocar ao serviço dos outros, sem desejar receber em troca, o que tenho aprendido nos últimos 41 anos. Desde que aprendi a ler e a escrever, até ao dia de hoje, e em que senti que genuinamente me cumpri.

Os livros: guardiões da nossa humanidade.

Se me desse um coisinha má, hoje, morreria feliz.

Obrigada, Sandra.

Obrigada, alun@s queridos que me ouviram tanto tempo.

Obrigada, Escola Secundária Matilde Rosa Araújo.

Relembro os Clã:

Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e salto
Sinto um formigueiroNas mãos e nos braçosPassarinhos na cabeça
Catavento nos ouvidosMil antenas nos cabelosQuem me leva, tenho pressa
Pé de cabra, pé de dançaDançar por gosto, não cansaNão vou só, levo o meu bandoA dança nos vai juntando
Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e salto
Se me pesa o traseiroLevanto o meu narizPerco o medo e a vergonha
Fecho os olhos e aí vouJá não estou onde estouNem sei quando posso parar
Pé de cabra, pé de dançaDançar por gosto, não cansaNão vou só, levo o meu bandoA dança nos vai juntando
Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e salto
Salto sem pararSalto sem parar
Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e salto
Ei tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, e saltoEi tenho asas nos pés, tenho asasEi tenho molas nos pés, mais alto

  


2 comentários:

  1. Que nos aguardem mais encontros. Destes, de alma, de coração. Mais como tu!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Foi umas das grandes alegrias da minha vida inteira, esta manhã! Obrigada!

      Eliminar

Obrigada, pelo tempo.