sexta-feira, 21 de junho de 2019

EDDIE VEDDER - 20/06/2019 - LISBOA - ALTICE ARENA


À medida que envelheço percebo que o tempo que me é concedido como o bem mais precioso é demasiado importante para desperdiçá-lo com querelas ridículas, preocupações fantasma, pessoas fachada. Daí que no meu coração não haja mágoa ou rancor que vinguem e já me fizeram muito mal. Perdoei, sim. Tudo. Se não o esqueço é sobrevivência, para que me não possam tornar a surpreender no ataque. Com convicção digo “sim” às oportunidades que surgem e com a mesma o “não” quando são contra a íntima vontade ou agridam o meu jeito de ser. À medida que aprendo a liberdade sou cada vez mais inteira e próxima da minha essência. Vivo momentos da mais intensa alegria. Chamo a esses instantes de completude irremediavelmente incompleta felicidade. A gana de não gastar tempo do que me resta com pessoas que fogem da conexão verdadeira com isto de andar por cá. Com tudo o que esse compromisso acarreta de bom, péssimo, doce, dor, destruição. Existir não chega. Serei ingénua, que sei eu, não os conheço, mas para mim estão ali (Pearl Jam) pessoas que apesar da dureza do passar das décadas não recusam os abraços, nem se furtam à entrega (“How I choose to feel is how I am”) naquela atitude de tanto-faz que mais não é que a desistência a ser vestida. Há nas canções, nas letras, nas melodias, a força de todas as batalhas travadas sem se ter esquecido o Amor. Há muito que o penso como quem tem fé inabalável. Convenço-me que a Existir esse Amor maior, sólido, será entre humanos, longe da perspectiva romântica, antes entre pares que estendem a mão ao próximo (desconto as religiões que cegam) independentemente das diferenças. (Grande, grande Miguel Duarte.) O Eddie falou sobre. Da força que lhe chega pelas pessoas que cantam em coro, um pouco por todo o mundo, enchendo os recintos dos concertos desse amor genuíno universal. O mal existe. Parece indestrutível. Assusta intui-lo a aumentar o poder. Pensar em combatê-lo é aterrador. Afigura-se tão impossivelmente difícil que dá muito menos trabalho persistirmos num modo funcionário de viver (como dizia o O’Neill) aguardando a morte. Recusemo-nos. Cantemos essa canção em que cada um olha ao redor e age naquilo em que possa em prol da humanidade. Poderão ser coisas simples. Pequenas. Positivas. Construir demora muito mais tempo e avança mais devagar do que qualquer demolição. Que não nos demova a empreitada. Adoro andar cá mas já quis desistir algumas vezes. Os Pearl Jam estiveram sempre lá. A cantar-me a esperança, demonstrando-me que até no céu mais carregado se desenha um arco-íris. Às vezes procedo por carência, falta de colo, de amor primordial, de auto-estima, buscando um destaque que seria incapaz de sarar o que faltou. Momentos como o concerto de ontem à noite, ao lado do meu melhor-amigo-amor-irmão, puxam-me à terra. Pertenço, sim. Pertencemos. Quando as vozes se unem nem que seja para cantar a paz (“Imagine”), o mundo (humano) melhora, tem hipótese. Tentarei não perder esta força motriz, dia após dia. Seria uma pessoa triste sem esta paixão. Obrigada, Eddie Vedder, pelo fôlego.

Era proibido tirar fotos mas sou grata ao Hugo Catanho por ser um rebelde.

Adorei ouvir o Glen Hansard. Fiquei fã.



I Will keep on rocking for a free world.


 Official poster art by Luke Martin for Eddie's show at Altice Arena in Lisbon.






PAZ. AMOR. MÚSICA. LIBERDADE. 

HUMANIDADE.

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