Quando sentimos a noite mais escura a descer sobre nós e a voz dos tiranos a elevar-se sobre todos, envolvendo de medo(s) e desconfiança(s)há, entre outras coisas, que ler os livros-coragem. Aqueles que foram escritos apesar da(s) ditadura(s). Tinha este, na estante, desde 2011. Já o tinha mirado muitas vezes, mas o tal chamamento que não sei explicar ainda não se tinha dado. Há poucos dias uma amiga querida, a Susana, mostrou-me em sua casa o exemplar anotado, páginas assinaladas, guardado como a um tesouro e falou-me dele com o "brilhozinho nos olhos" da paixão devotada ao mesmo. (Quanta sorte têm alguns alunos!) Nessa mesma noite, fui ao cubo onde suspeitava encontrar-se o meu e coloquei-o na frente de outras leituras alinhadas.
É URGENTE (RE)LER esta obra.
Perceber o que terá sido escrevê-la, ousar mostrá-la, em tempos de profunda e insidiosa repressão.
«Há homens que obrigam todos os outros homens a reverem-se por dentro.» (Página 137, Ed. Areal Editores)
Apesar de remetida para época muito anterior à vivida por Sttau Monteiro, não enganava. Mostrava claramente ao que vinha. Crítica feroz aos senhores do terror, do silenciamento, da asfixia, dos crimes contra a humanidade.
Foi censurado, claro está, tendo subido pela primeira vez a palco apenas em 1978.
Comove. Comove muito. E alerta. Actual. Tão actual.
Haverá sempre os que dançam o baile da indignidade, do seguidismo, do executar ordens sem questionamentos.
Só sou capaz de continuar inteira nesta íntima crença de que chegada a hora (decisiva) posicionar-me-ei ao lado dos que sacrificam a própria vida em nome desse bem maior, a Liberdade.
(RE)LEIAM. (RE)LEIAM. (RE)LEIAM. POR FAVOR. (RE)LEIAM.
«FELIZMENTE HÁ LUAR»












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