Sabem lá o que se tem de arranjar em força anímica para, depois de dar a atenção possível a cada filho, mais jantares, vestir pijamas, lavar os dentes, contar um poema (quando há mais tempo conto histórias), fazer massagens numa perna que dói, mimos em dois corações carentes de um dia inteiro fora do ninho, comer eu também (já agora), pôr roupa a lavar, arranjar lancheiras e mochilas e vestimenta para o dia seguinte, sair de casa pelas 21h30 (já atrasada, pois) para uma sessão com um escritor.
É muita, senhoras/es. Muita força anímica que devia ter escondida ao nível dos calcanhares pois lá consegui arrastar-me para fora de casa e ir.
Ainda bem que assim fui.
Sessão belíssima, despojada, próxima. Com uma senhora de voz-maravilha a fazer todas as observações e perguntas e mais outros arrojados a distorcerem as regras ao jogo, das questões só no fim (e o bom que foi).
Tenho certas reservas quanto aos autógrafos. Servem para quê? Quanto nos confortam aquelas linhas "performance" com pouco de sentimento? Para mim, serviram, até hoje, para me aproximar e dizer algo ao escritor/cantor/artista.
Ontem: Obrigada pela generosidade com que escreveu este livro.
Pode ser que algum dia entenda a real importância e me arrependa de todas as oportunidades de rabiscos na primeira página perdidas.
Deixo, para minha memória futura, a pergunta que calei. Escapou-se com o tempo e com intervenções mais pertinentes.
«Havia muito silêncio no seu passado. Preocupa-o deixar menos silêncio aos seus filhos?»
Aprendi que em espanhol também se deixam dominar pelo pudor de dizer que amam. Que pena.
Te quiero.
(É tão bonito.)
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Obrigada, pelo tempo.