Dificuldade em falar desta
leitura. Pessoal e intransmissível o que cada um sentirá. O que dali salta para
o peito leitor, apoderando-se, invadindo de doçura e tristeza em medidas
complementares. Li-o chorando incontida página sim, página não, inábil para
acumular toda a angústia na garganta. Deixando-a fluir livremente. Este
escritor permite-nos acompanhá-lo na procura pela sua identidade no seu passado
espezinhado pela dor mais funda, a perda da mãe, indizível, silenciada sob
camadas de terror, saudade, impotência e anos de fuga ao confronto com uma realidade
incomplacente. Uma conversa connosco sobre as despedidas que não se fazem por
serem impossíveis. Há liberdade imensurável no despojamento com que é contada a
própria história e dos seus, generosidade desmedida com a partilha das
múltiplas descobertas, revelações, revoluções interiores, das ficções
familiares que permitiram a cada membro da tribo sobreviver, apesar da morte.
Acabou para a Rosa Maria há muitos anos, mas não se extinguiu a Rosa Maria,
tão-pouco a marca da sua passagem por este mundo. Continuará. Eterna. Primeiro,
até que a última pessoa que a ama tenha partido, depois, enquanto houver um
exemplar deste livro para ser lido. Então fazendo parte de um amor universal, legado
da Humanidade. Para comover intimamente basta haver verdade.
Obrigada, Hugo Gonçalves.

Sem comentários:
Enviar um comentário
Obrigada, pelo tempo.