quarta-feira, 3 de junho de 2026

"Hoje acordei assim..."

(Como diria no seu blogue a Carla Quevedo, a bomba inteligente)

Faz-me espécie que pessoas em lugar de privilégio tenham mais medo das chefias hoje, do que mais tarde, tratando-se do prenúncio de um pacote laboral que dirá respeito, mais tarde ou mais cedo,  a todos. Ou seja, se é para tentar impedir que vá para a frente, pois que seja agora. Ainda que não nos chegue, aos privilegiados, algum dia, a morder os calcanhares, não somos ilhas. Se queremos sê-lo que vamos para um lugar remoto e isolado, morrer sozinhos. Se, pelo contrário, é em sociedade que escolhemos viver, não me parece saudável, solidário, harmonioso,justo, igualitário, fraterno, viver numa estrutura social em que pessoas que, já são as que trabalham em condições mais duras, possam ser ainda mais sacrificadas, coagidas, continuando pobres, oprimidas, asfixiadas por um sistema injusto, sem aspirar a nada mais do que cansaço extremo e nenhum tempo ou energia para a família/amigos/a fazer o que lhes der na gana. Trabalho num lugar, no geral, bom. Não tenho, no geral, razões de queixa. Se quisesse meter um dia de férias junto ao feriado (recordo que, nesse caso, remunerado) metia. Faço greve porque não concordo com o ante-projecto do pacote laboral XXI, o qual me dei ao trabalho de ler no que respeita às principais alterações. Faço greve, pelos que não podem mesmo confrontar a hierarquia com o seu desacordo, ou com os que simplesmente não podem abdicar de um dia de vencimento, tal é a carência em que sobrevivem. Sou só uma ou integro a minoria? Paciência.  Faço o que posso. Se não agora, antes de aquilo ser aprovado, quando? Quando o mal estiver feito, não nos queixemos que, afinal, devíamos ter feito greve. Que, afinal, já afectou o umbiguinho, quando antes nos estávamos a marimbar para os que mais sofrerão com as medidas, por enquanto, alheios às nossas existências egocêntricas. O tempo de agir é agora. O povo unido muito mais dificilmente é vencido. Se continuarmos a agir individualmente desconsiderando o conjunto, estamos mal fodidos.

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